Como a nutrição pode quebrar o ciclo da fome
Em Gilguite-Baltistão, no norte do Paquistão, 46 por cento das crianças com menos de cinco anos apresentam défice de crescimento.
Na aldeia de Immit, nas encostas sul das montanhas Pamir, muitas famílias vivem com muito pouco. O marido de Jamjur Naroz ganha 3 £ por dia como trabalhador, sendo este o único rendimento da família. «Somos uma família pobre», Jamjur afirma. «Não temos posses para uma alimentação equilibrada.»
A subnutrição pode ter consequências para toda a vida. Quando as mães e as crianças pequenas não ingerem proteínas, hidratos de carbono, gorduras, vitaminas e minerais suficientes durante a gravidez, a amamentação e a primeira infância, as graves carências nutricionais podem afetar o desenvolvimento físico e cerebral da criança. Isto pode aumentar o risco de pobreza mais tarde na vida, com a geração seguinte a enfrentar potencialmente os mesmos desafios, o que os nutricionistas designam por ciclo intergeracional de fome.
Mas este ciclo pode ser quebrado.
A Iniciativa de Combate ao Défice de Crescimento na Ásia Central (CASI), gerida pelos Serviços Aga Khan para a Saúde (AKHS), ajuda as famílias a prevenir e reduzir a subnutrição através da monitorização do crescimento, de orientações sobre amamentação e alimentação complementar, diversidade alimentar e higiene, e de suplementos nutricionais, quando necessário. O seu trabalho decorre em paralelo com outros esforços para combater a pobreza na região, incluindo as cooperativas agrícolas e os projetos de irrigação do FIDA, e o programa nacional de transferência de rendimentos do Paquistão, o BISP.
Há três anos, Urwa Hussain apresentava défice de crescimento. Através da CASI, os seus pais aprenderam melhores práticas de alimentação e higiene, e Urwa recebeu o suplemento nutricional Ronaq durante um ano, com o seu crescimento a ser verificado todos os meses. Hoje, a sua altura e peso estão na média para a sua idade.
Nas áreas de Gilguite-Baltistão onde a CASI atua, o défice de crescimento entre as crianças com menos de cinco anos diminuiu de 41 para 35 por cento ao longo de cinco anos, de acordo com uma avaliação da Universidade Aga Khan (AKU). Tratou-se de um declínio mais rápido do que a média global, com base em dados da UNICEF.
Mas, apesar destes programas, a subnutrição grave continua a ser uma realidade para muitas famílias. Perto dali, Hafiz Ur Rehman, de quatro anos, ainda se debate com uma anemia grave que o impede de se concentrar ou de ir à escola. A sua história levanta a questão de como poderia ter sido o seu futuro se ele e a sua mãe tivessem podido alimentar-se bem durante os primeiros anos, quando ela estava grávida e durante um ou dois anos após o seu nascimento. Poderia ter vindo a estudar engenharia, medicina ou direito, apoiando a sua família e a sua comunidade, e concretizando os seus próprios sonhos. A sua história é um lembrete da razão pela qual o trabalho continua.
Quebrar o ciclo da fome começa por garantir que as crianças recebem os alimentos de que necessitam para crescer e prosperar.
Veja a animação acima ou leia a história completa: Quebrar o Ciclo da Fome: Combater o Défice de Crescimento e a Subnutrição Intergeracionais no Norte do Paquistão