Kenya · 9 maio 2019 · 5 Min
AKDN / Aziz Islamshah
O Dia Internacional do Enfermeiro (DIE) é comemorado em todo o mundo a 12 de Maio, o aniversário do nascimento de Florence Nightingale. Com o passar dos anos, o dia tornou-se uma ocasião para homenagear a importância dos enfermeiros no bem-estar da humanidade. O tema do DIE 2019 é “Enfermeiros: Uma voz de liderança - Saúde para todos”. Com isto em mente, era imperativo falar com uma líder de enfermagem que personifica o tema deste ano de liderança e que está a fazer a sua parte para que a cobertura de saúde chegue ao maior número de pessoas possível.
Conheça Jane Wanyama, a Diretora Executiva (CEO) do Hospital Aga Khan de Kisumu. Em 2010, Jane estava a liderar o programa de saúde materno-infantil no Hospital Universitário Aga Khan (AKUH), em Nairobi, quando publicou um pequeno artigo no jornal 'Daily Nation' intitulado “Cuidados com os bebés em casa”. No artigo, ela aconselhava as mães sobre como cuidar dos seus bebés e escrevia acerca de amamentação e higiene ao lidar com bebés. Hoje, Jane é CEO do Hospital Aga Khan de Kisumu. Em 2017, publicou um artigo na 'Business Today' intitulado “Novas instalações de saúde Sh5b inauguradas em Kisumu”. Desta vez, escreveu acerca do fortalecimento das parcerias público-privadas e da promoção de populações saudáveis.
AEscola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan, na África Oriental, conversou com Jane em Maio de 2019 para saber o que a motiva e o que as suas experiências lhe ensinaram. A história de Jane é uma história de aprendizagem, de superação de obstáculos e de trabalhar sempre para ser uma inspiração para as mulheres: “A minha ligação com a comunidade Aga Khan fez de mim o que sou hoje. Foi de uma importância fundamental na minha vida, ao proporcionar-me um ambiente propício à aprendizagem. A AKU ajudou-me a cumprir o meu potencial e a demonstrar ao mundo que as mulheres podem ser enfermeiras excecionais e ao mesmo tempo uma voz de liderança na sala daadministração."
Aqui está a entrevista completa:
Em que fase da sua carreira de enfermagem é que estava quando foi tirada esta fotografia com Sua Alteza o Aga Khan em 2009?
Era um Enfermeira Diplomada em Enfermagem Materna e Neonatal. Já era há nove anos a responsável de enfermagem pela Administração do Programa de Saúde Materno-Infantil no Hospital Universitário Aga Khan, em Nairobi.
Que sonhos e desejos é que tinha para o seu futuro naquela altura?
Queria chegar a uma posição mais alta na administração do hospital. Eu sabia que isso seria possível se eu desenvolvesse as minhas competências de gestão e tivesse mais exposição no trabalho. Tinha a esperança de me tornar membro da Equipa de Liderança Sénior de uma organização de saúde, em primeiro lugar como Diretora de Operações e, em seguida, como CEO.
Parece que sabia perfeitamente o que queria para si mesma. O que é que desejava para a sua comunidade e para as pessoas à sua volta?
Tradicionalmente, o papel das raparigas e mulheres no Quénia na contribuição para a tomada de decisões sempre esteve limitado. Isto fica claro quando falamos de questões relacionadas com o desenvolvimento, especialmente na área da saúde. Nós não estamos autorizadas, em grande medida, a tomar decisões sobre a nossa própria saúde. Naquela época, eu via-me como um exemplo acabado do potencial por explorar nas mulheres e raparigas no Quénia. Eu também estava convencida de que trabalhar no duro com a atitude certa viria a dar frutos, desde que eu me mantivesse comprometida em dar o melhor de mim no trabalho. Se eu encarasse cada oportunidade como uma hipótese de aprender, sabia que alcançaria os meus sonhos. Eu queria mostrar que investir em raparigas e mulheres não é um desperdício de recursos.
Jane Wanyama’s nursing career has ranged from bedside patient care to boardroom leadership and decision-making. Here, she consults with Suleiman Shahabuddin (Regional Chief Executive Officer, Aga Khan Health Services, East Africa).
AKU
E em relação ao mundo? Queria mostrar alguma coisa ao mundo naquela altura?
O público nem sempre valoriza as aptidões, competências e capacidades dos enfermeiros. Senti uma grande vontade de melhorar a imagem pública da profissão, assim como de garantir que assumíssemos posições mais fortes dentro das organizações de saúde, especialmente nas administrações enquanto tomadores de decisão.
Isso parece ser um fardo pesado de carregar. Como é que conseguiu fazer isso?
Sentia que, enquanto enfermeira, parteira e enfermeira-chefe, eu era capaz de influenciar a vida de mulheres nas fazes de gravidez e educação, assim como de jovens profissionais no sector de saúde do Quénia. Para chegar à sala da administração, percebi que tinha de continuar a minha educação. Também descobri que é importante trabalhar num ambiente desafiante que motive os enfermeiros a assumir posições estratégicas. Desta forma, usei o meu profissionalismo para mostrar ao público e à administração porque é importante ter um enfermeiro na sala da administração.
Em ponto está atualmente na sua vida e carreira de enfermagem? Já alcançou os seus sonhos e desejos, os pessoais e não só?
Apesar de estar no topo da minha carreira de enfermagem, estou convencida de que ainda não cheguei lá. Com a minha paixão pela saúde das mulheres, espero ocupar uma posição de influência na defesa e desenvolvimento de políticas para as mulheres em todas as fases da vida. Pensei em matricular-me numa instituição de ensino superior para estudar Direito Médico ou Saúde da População. Pretendo chegar mais alto e desejo tornar-me um referencial de influência na minha esfera pessoal. O céu é o limite.
A comunidade Aga Khan teve alguma importância no seu sucesso?
A minha ligação com a comunidade Aga Khan fez de mim o que sou hoje. Foi de uma importância fundamental na minha vida, ao proporcionar-me um ambiente propício à aprendizagem. As formações formais e informais que realizei, em conjunto com a exposição ao Sistema Integrado de Saúde da Universidade Aga Khan (AKU) em Karachi, não só me proporcionaram uma riqueza de conhecimentos e experiência como aprimoraram a minha avaliação clínica, pensamento crítico e competências de liderança. A AKU ajudou-me a cumprir o meu potencial e a demonstrar ao mundo que as mulheres podem ser enfermeiras excecionais e ao mesmo tempo uma voz de liderança na sala da administração.