Síria · 4 maio 2022 · 2 Min
AKDN
De acordo com as estatísticas da ONU, o rácio de mortalidade materna – o número de mortes maternas por 100 000 nados vivos – nas regiões em desenvolvimento é 14 vezes maior do que nas regiões desenvolvidas. Após uma década de conflito armado, a volatilidade económica e a insegurança alimentar que afetam grande parte da Síria têm repercussões no acesso aos cuidados de saúde.
No âmbito da nossa resposta humanitária, a AKDN realiza sessões de alimentação e educação a mulheres grávidas e lactantes na Síria. Com apoio do Fundo de População das Nações Unidas, também enviamos equipas médicas móveis para prestar serviços de saúde materno-infantil a comunidades que, de outra forma, teriam dificuldade em aceder a estes cuidados. Durante 2020, estas unidades móveis providenciaram serviços de saúde materno-infantil a mais de 12 500 mulheres sírias.
Nadia*, do distrito de Salamieh, sofria de pressão arterial elevada. Sem ajuda médica, havia perdido o primeiro feto nos últimos meses de gravidez, tendo necessitado de uma cesariana. Na sua segunda gravidez, recebeu cuidados pré-natais da parte de uma equipa médica móvel. Uma parteira, uma médica e uma profissional de apoio psicológico da equipa que acompanhou Nadia descrevem a forma como trabalharam em conjunto e com a sua família para responderem às necessidades da paciente.
Ghadeira Mahfoud, parteira de Nadia, disse:
“A Nadia vive em condições familiares difíceis, não tendo qualquer acompanhamento ao nível da saúde. A sua família considera inaceitável que as mulheres e raparigas viajem até à cidade mais próxima para receberem tratamento. Quando começámos a visitar a quinta onde toda a sua família vive, percebemos que algumas mulheres, incluindo a Nadia, tinham dificuldade em procurar serviços de saúde. Após várias sessões de persuasão com o chefe da família, pudemos conhecer os membros femininos e prestar-lhes serviços durante a nossa visita mensal às quintas. Nadia iniciou uma segunda gravidez apesar do péssimo impacto psicológico da primeira. Com este acompanhamento médico e monitorização fetal, Nadia teve uma gravidez bem-sucedida e um parto normal.”
A Dra. Abeer Zaino acrescentou: “Algumas complicações inflamatórias foram acompanhadas e debeladas com sucesso. A Nadia também teve depressão perinatal e a sua condição foi acompanhada. Apesar das circunstâncias, ela conseguiu realizar um aleitamento materno absoluto durante um período de seis meses.”
Ameera Alkatlabi ofereceu apoio psicológico: “A Nadia vive em condições familiares difíceis, estando exposta a um certo nível de violência doméstica. Ela está proibida de viajar para obter cuidados médicos, embora a quinta onde reside fique a apenas 10 quilómetros da cidade, e também tem dificuldade em ir visitar a sua família a outra aldeia. Ela sofreu uma grande pressão psicológica e uma depressão perinatal, mas a terapia comportamental ajudou-a a superar o sofrimento.”
O bebé de Nadia tem agora um ano e dois meses.
*Nome alterado por privacidade
O Dia Internacional da Parteira, celebrado em 5 de Maio, é uma oportunidade para homenagear o trabalho das parteiras e promover uma consciencialização acerca dos cuidados essenciais que prestam às mães e recém-nascidos.