Adaptação às alterações climáticas
Segurança alimentar
Tajikistan · · 2 Min
AKDN / Jean-Luc Ray
Segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano da ONU, a produção agrícola "será severamente prejudicada pelas variações e alterações climáticas". Em alguns países, a produção agrícola regada pela chuva poderá ter uma redução até 50% até 2020. A degradação dos terrenos agrícolas também terá efeitos secundários, aumentando as mortes de animais, o risco de incêndios, a erosão dos solos e o deslocamento das populações locais. Um conjunto semelhante de eventos já ocorreu no leste do Tajiquistão ao longo das últimas duas décadas. Quando a União Soviética entrou em colapso e os seus subsídios alimentares terminaram, o povo da região montanhosa de Gorno-Badakhshan, no Tajiquistão, começou a passar fome. Com a sua economia a ser planeada centralmente por Moscovo, o Tajiquistão construiu uma variedade de produtos, que variavam de sapatos a peças para foguetões, mas nunca produziu muita comida. A insegurança alimentar foi agravada pelo cancelamento dos subsídios para os combustíveis, que levaram à queima de madeira, incluindo árvores frutíferas, para sobreviver ao inverno.
Segundo algumas estimativas, 80% da cobertura florestal da província foi gasta como combustível. As agências da AKDN forneceram ajuda humanitária numa primeira fase, tendo posteriormente iniciado a tarefa de recuperar a segurança alimentar de longo prazo na região. Nos 10 anos seguintes, o Programa de Apoio ao Desenvolvimento das Sociedades de Montanha (MSDSP), uma ONG criada e apoiada pela Fundação Aga Khan, começou a trabalhar com as comunidades tajiques para aumentar a produção agrícola e melhorar a variedade das colheitas agrícolas. De 15% no início da década de 1990, a segurança alimentar aumentou gradualmente até aos 70% num período de 10 anos.
As comunidades apoiadas pela AKDN lograram estes ganhos significativos em grande parte devido ao facto de os esforços de desenvolvimento terem sido baseados nas comunidades e geridos pelas comunidades. Esse modelo foi expandido para mais de 1.150 organizações de aldeia e 60 sociedades de organizações de aldeia, com um total de 132.700 membros, dos quais 47% são mulheres. A AKDN também concluiu vários programas associados, incluindo trabalhos de reflorestamento e a conclusão da central hidroelétrica Pamir 1.
“As alterações climáticas estão a afetar severamente estas áreas, com solos particularmente frágeis e glaciares cada vez menores... É essencial que a comunidade internacional preste atenção a esta parte da Ásia: ao não fazê-lo certamente irá levar a uma desestabilização do crescimento e uma limitação do desenvolvimento geral dos países presumivelmente mais ricos que cercam a Ásia Central.”
Declaração do príncipe Amyn Aga Khan no X Fórum Alemão do Banco Mundial “O Século Asiático: Desafios na Crise Económica” (Frankfurt am Main, Alemanha) - 20 de Novembro de 2008