Jacqueline Tindi: ex-aluna de enfermagem da AKU lidera UCI em novo hospital
Kenya · · 3 Min
AKDN / Christopher Wilton-Steer
Jacqueline Tindi está na linha da frente do combate à pandemia da COVID-19. Ela lidera a unidade de cuidados intensivos do novo Hospital de Ensino, Referência e Investigação da Universidade Kenyatta que está a prestar assistência à população em crescimento de Nairobi e do Quénia central. Em resposta ao aumento atual de casos de coronavírus no Quénia, Jacqueline trabalha incansavelmente para garantir que a sua equipa está totalmente preparada e pronta para lidar com todos os casos que cheguem ao hospital.
Jacqueline leads the critical care unit at the new Kenyatta University Teaching, Referral & Research Hospital that is catering for the growing population of Nairobi and central Kenya.
AKU
“Enquanto gestora sénior de enfermagem, o meu trabalho inclui a formação, investigação e tratamento de pacientes em cuidados intensivos. Estamos a trabalhar para tornar a UCI numa unidade de isolamento para a COVID-19, procurando garantir que temos equipamento e funcionários suficientes para lidar com os casos de pessoas infetadas que venham a ser encaminhadas para nós.” Tindi sente-se à vontade. Com mais de 15 anos de experiência profissional como enfermeira, tem vindo a subir de forma lenta mas segura a escada do sucesso.
Em 2012, mudou-se para o Malawi para se juntar ao marido, que foi destacado para lá em trabalho. Não podia ficar sem fazer nada e ofereceu-se como voluntária num hospital local. Tindi sabia que teria de ficar uns tempos no Malawi, então optou por se candidatar a uma vaga para trabalhar no hospital a tempo inteiro. Porém, não cumpriu os requisitos, uma vez que era necessário um bacharelato. Dois anos depois, decidiu voltar para casa.
“Senti-me muito mal por não cumprir os requisitos para nenhum cargo, apesar de ter feito cursos básicos de enfermagem e obstetrícia. Então, em 2014, voltei para casa e inscrevi-me no curso de licenciatura em enfermagem da AKU”, disse. “Escolhi a AKU porque me disseram que eles tinham uma autonomia muito boa durante o processo. Se tivermos autonomia, podemos tomar decisões acerca daquilo que queremos e progredir em vez de ficarmos estagnados.”
A Escola de Enfermagem e Obstetrícia da Universidade Aga Khan (AKU-SONAM) na África Oriental existe desde 2002 e tem atualmente três cursos académicos. É reconhecida como uma das instituições de formação em enfermagem mais conceituadas da região, tendo já formado mais de 2500 enfermeiros e parteiras na África Oriental.
“Apesar de ser uma das mais velhas da minha turma, recebi muito apoio da parte da administração e do corpo docente da Universidade. O apoio financeiro e emocional também me ajudou a conseguir um equilíbrio entre a maternidade e os meus estudos.”
Após a licenciatura, Tindi inscreveu-se desde logo numa pós-graduação em cuidados intensivos na Universidade de Cardiff, no Reino Unido. Ela atribui à aprendizagem combinada da AKU o mérito de tê-la ajudado a fazer uma transição suave para a aprendizagem e investigação online durante o seu mestrado.
"O programa da AKU-SONAM tem como módulos a liderança e a gestão através da teoria e da prática clínica", disse Tindi. “Também temos a oportunidade de interagir com gestores de unidades de saúde comunitárias e de hospitais maiores. Sem dúvida que estas competências nos ajudam a prepararmo-nos para posições de liderança no futuro, e acredito que foi por isso que fui contratada para liderar a Unidade de Cuidados Intensivos no novo Hospital de Ensino, Referência e Investigação da Universidade Kenyatta.”
O seu conselho para os enfermeiros mais jovens?
“Pensem em vocês como futuros mentores e modelos a seguir. Adquiram os conhecimentos e competências para fomentar a qualidade dos serviços de enfermagem. Quando fomentamos a qualidade dos serviços de saúde estamos a reduzir a mortalidade. Vocês podem ter experiência prática como enfermeiros, mas se não tiverem o conhecimento, não serão capazes de lidar com um paciente num momento crítico. Vocês precisam de cuidados baseados em evidências para tratar um paciente e isso só poderão vir a obter na escola."
Esta história foi adaptada de um artigo publicado no site da AKU.