Por Mr. Firoz Rasul, Dar es Salaam, Tanzania · 8 fevereiro 2017 · 8 Min
O nosso convidado de honra, o Sr. Lila Mkila, Vice-Governador do Banco da Tanzânia,
membros do Governo,
membros do Conselho de Administradores da Universidade Aga Khan,
membros do Corpo Diplomático,
reitores, corpo docente e funcionários da Universidade
pais, parceiros, apoiantes e ilustres convidados
e, mais importante, graduandos,
“Karibuni”, bem-vindos à Cerimónia de Convocação de 2017 da Universidade Aga Khan.
É fantástico ver-vos a todos reunidos aqui, sei que muitos de vocês aguardam com expectativa por este dia. É uma honra acolher os nossos muitos dadores, que partilharam o seu sucesso com a Universidade e depositaram a sua confiança em nós. Agradecemos também ao nosso convidado de honra, o Sr. Lila Mkila, por partilhar esta ocasião. A presença de todos os nossos convidados serve para lembrar de maneira humilde que o trabalho que desempenhamos na AKU depende dos sacrifícios, generosidade e apoio de muitas outras pessoas.
Graduandos, este é o dia em que todos nós comemoramos os feitos dos pais, corpo docente, funcionários, líderes e amigos da Universidade. É um dia em que sentimos grande orgulho pelos vossos feitos e com toda a justificação. O facto de estarem aí sentados é a prova da vossa determinação e paixão pela aprendizagem e mostra que podem competir com o melhor que o mundo tem para oferecer.
Porém, se olharem para dentro de vocês, creio que vão reconhecer também outra emoção: a noção de ligação a algo maior do que vocês mesmos. Isso pode ser a comunidade de amigos que criaram aqui. Pode ser a vossa família, cujo amor e apoio vocês honraram com o vosso feito. Pode ser a Universidade e a sua visão ou o grande empreendimento de aprendizagem e inovação que atravessa o mundo e os séculos. Seja como for, o sentido está lá.
Está presente porque nós como seres humanos, procuramos naturalmente um propósito mais elevado. Buscamos uma missão ou um chamamento superior, um desafio que dê significado às nossas vidas e que deixe uma marca na vida dos outros.
Não é necessário ir muito longe para encontrar esses desafios. Estão todos à nossa volta. Todos vocês os estudaram quando estiveram aqui e assistiram a eles nas vossas vidas e carreiras.
Há dezassete anos, as nações, incluindo a Tanzânia, reuniram-se para se comprometerem na redução da pobreza, fome, doença, analfabetismo e preconceito. Apelidaram a essas metas “Objetivos de Desenvolvimento para o Milénio” e comprometeram-se em resolvê-los em 2015.
Os objetivos eram ambiciosos. E, a seu favor, a Tanzânia resolveu alguns e fez grandes progressos para resolver outros. Este país foi, por exemplo, um dos doze países de baixo rendimento a nível mundial a reduzir a taxa de mortalidade em dois terços ou mais, um resultado impressionante.
Contudo, graduandos, muito continua por fazer, como bem sabem. Demasiadas pessoas vivem no limiar da pobreza. Demasiadas grávidas, bebés e crianças com menos de 5 anos morrem de causas evitáveis. Demasiadas crianças não aprendem o suficiente na escola.
Todavia, o que são esses problemas se não a grande missão que todos procuramos e para a qual a vossa educação vos preparou? Com as capacidades que desenvolveram na AKU, vocês podem contribuir para um mundo melhor, no qual o sofrimento e a injustiça passaram à história.
2015 é passado. Contudo, a necessidade de união por trás de um programa comum para melhorar a situação da Humanidade não atenuou. 193 países, incluindo a Tanzânia, assumiu um compromisso para alcançar um novo conjunto de metas em 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Se a Tanzânia tivesse de facto concretizado essas metas, seria um país onde as crianças não sofrem com fome, todos os rapazes e raparigas teriam professores bem qualificados e todas as pessoas teriam acesso a cuidados de saúde de elevada qualidade.
Em parceria com as agências da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, a AKU está a trabalhar para tornar essa visão realidade, como educador de líderes, fornecedor de cuidados de saúde e educação de elevada qualidade e parceiro que ajuda as instituições do setor público a melhorar as vidas daqueles que servem.
Atualmente, os Serviços Aga Khan para a Saúde na Tanzânia fornecem cuidados de saúde por ano a cerca de 400 000 pessoas na Tanzânia. Prevê-se que este número irá aumentar consideravelmente: o Hospital Aga Khan em Dar es Salaam está prestes a registar uma expansão considerável que irá duplicar a sua capacidade, acrescentar especialidades e abrir 22 centros de saúde, tudo isto com o apoio financeiro da Agência Francesa do Desenvolvimento.
Além disso, o Hospital envidou grandes esforços para fornecer cuidados excecionais aos doentes. No ano passado, tornou-se o primeiro hospital na Tanzânia a ser acreditado pela Joint Commission International com sede nos E.U.A. Foi o culminar de um processo de dois anos de preparação que resultou num exame in situpor especialistas que avaliaram o Hospital de acordo com mais de mil normas.
Como parte da transformação do Hospital, a Universidade expandiu a sua pós-graduação em educação médica. Além de dar formação a especialistas em medicina familiar, estamos agora a formar cirurgiões e a especialistas em medicina interna. Os finalistas destes programas vão desempenhar um papel essencial na criação de cuidados avançados mais amplamente acessíveis, tanto como médicos como educadores.
Vamos continuar também a investir na nossa Escola de Enfermagem e Obstetrícia. No ano passado, a Universidade terminou as obras de renovação e expansão da Salama House em Dar es Salaam para proporcionar ao nosso corpo docente e estudantes novas salas de aulas, laboratórios e outras instalações, um projeto tornado realidade graças ao apoio financeiro da República Federal da Alemanha.
Com o apoio do Johnson & Johnson Corporate Citizenship Trust, que forneceu bolsas de estudo aos nossos enfermeiros durante 15 anos, realizámos um grande estudo da Escola e dos respetivos alunos. O estudo concluiu que os nossos licenciados estão a ter um impacte significativo no sistemas de saúde e na qualidade dos cuidados de enfermagem. Cerca de quatro em dez são dirigentes superiores, gestores, educadores ou investigadores e os restantes estão nos hospitais, envolvidos diretamente nos cuidados aos doentes. Atualmente, a Universidade está em conservações com o Conselho de Enfermagem e Obstetrícia e o Ministério da Saúde para atribuir bacharelatos ou mestrados na área de qualificação de enfermagem para garantir que as grávidas e os respetivos bebés tenham os cuidados de que necessitam, durante e após o parto.
O nosso Instituto para o Desenvolvimento Educativo, na África Oriental (IED, EA) está a colaborar com outras agências da AKDN num projeto de cinco anos para melhorar o ensino dos estudantes da pré-primária e primária em comunidades marginalizadas na África Oriental. O projeto deu formação a mais de 1000 educadores e funcionários na Tanzânia. Em novembro, a Conferência Nacional sobre Educação do Instituto em Dodoma reuniu mais de 100 intervenientes na África Oriental para lidar com os desafios e as oportunidades da educação. A construção de uma sede permanente em Sam Nujoma Road aguarda pelo resultado das discussões com o Governo.
30 licenciados receberam um mestrado do IED, EA. Após a convocação de hoje, o Instituto tem mais de 300 licenciados a trabalhar na África Oriental, um programa verdadeiramente regional com larga representação do Quénia, Tanzânia e Uganda. Até à data, a Escola de Enfermagem e Obstetrícia atribuiu 17 bacharelatos, o que corresponde a um total de 623 diplomados e licenciados na Tanzânia. Em medicina, houve um licenciado do curso de ensino médico de pós-graduação.
Todavia, é notável o impacte significativo da AKU na Tanzânia ao longo dos anos e este compromisso é o motivo pelo qual a Tanzânia usufruiu atualmente de um impressionante melhoramento no sistema de educação pública. Os Sistemas de Reforço da Educação na África Oriental (SESEA) que estão sediados em Mtwara e em Dar es Salaam deram formação a mais de 1000 professores que beneficiam pelo menos 75 000 alunos. O curso Fursa Kwa Watotoem Mwanza dá formação a diretores de escolas, vice-diretores de escolas e a professores da pré-primária e até à data cerca de 600 beneficiam deste curso, que ajudou cerca de 10 000 alunos na Tanzânia no ano passado. Pelo menos 90 escolas públicas em Mwanza e no Kilimanjaro beneficiam dos projetos Fursa Kwa Watoto.
Este objetivo é a parte central do novo projeto que a Universidade e outras agências da AKDN estão a levar a cabo em Mwanza com o apoio da Global Affairs Canada e da Fundação Aga Khan no Canadá. Vamos estar a trabalhar com hospitais distritais, dispensários e centros de saúde para melhorar a saúde de mais de 250 000 grávidas e recém-nascidos durante quatro anos.
A Universidade, além de ajudar mais tanzanianos a ter vidas saudáveis, está também a fazer esforços para melhorar a qualidade da educação nas escolas do país.
Está previsto o maior projeto de sempre da Universidade na África Oriental: a Faculdade de Letras e Ciências em Arusha. Os estudantes da Faculdade de Letras e Ciências vão receber uma educação em profissões liberais que lhe permitem prepará-los para liderança, inspirá-los a seguir metas audaciosas e despertar o interesse em fazer a diferença na vida dos outros. Vão desenvolver a capacidade de pensar de maneira crítica, escrever de forma clara, lidar com problemas de maneira criativa, valorizar o pluralismo e refletir sobre as questões mais profundas. Quando se licenciarem, terão as habilitações cobiçadas pelos empregadores e as capacidades necessárias para uma cidadania ativa e participativa. O trabalho de conceção no campus continua. A construção será planeada assim que as discussões com o Governo forem concluídas.
Todos estes projetos estão de acordo com os objetivos do Governo para melhorar a educação e a saúde da população da Tanzânia.
Graduandos, alguns de vocês se calhar já leram ou ouviram falar sobre o Inquérito aos jovens da Tanzânia realizado pelo Instituto da África Oriental da AKU. Pedia a 1900 tanzanianos entre os 18 e os 35 anos sobre os seus valores, ambições e ansiedades.
Em alguns casos, as respostas são uma causa de preocupação. Porém, o inquérito também mostrou de forma bem clara que uma grande maioria dos jovens da Tanzânia está muito otimista, entusiasmado e com uma noção de que as coisas mais importantes na vida não podem ser medidas em shillings.
Sete em dez afirmaram que a educação é mais importante do que o dinheiro. Quando lhes perguntaram as três coisas que consideravam mais importantes, escolheram a fé com grande margem em relação às outras opções. Cerca de três quartos afirmou que o trabalho árduo deve ser recompensado com o sucesso e que as pessoas devem ajudar os necessitados e que é importante encarar a mudança. Dois terços acreditava que tinha as capacidades necessárias para serem bons cidadãos e seis em dez afirmaram que têm capacidade para fazer a diferença no mundo.
Não estamos minimamente surpreendidos pelos resultados. Porque são exatamente essas as qualidades que vos permitiram ter sucesso na AKU. Durante o período que passaram connosco, vocês demonstraram integridade, perseverança, criatividade e um profundo desejo de permitir que outros desenvolvam os seus talentos e tenham vidas saudáveis e realizadas.
Agora têm a oportunidade de juntar-se a inúmeras pessoas na AKU, em Tanzânia e em todo o mundo que trabalham para lidar com os desafios mais difíceis enfrentados pela Humanidade.
Não sei se repararam que usei o termo “oportunidade” em vez de “responsabilidade”. Disse isso de propósito. Como presidente desta Universidade há dez anos, falo por experiência quando afirmo que para trabalhar em nome de uma grande causa, procurar fazer o que nunca foi feito, é a experiência mais entusiasmante que alguma vez irão sentir.
Não há melhor recompensa do que a noção de que os vossos esforços beneficiaram, profunda e positivamente, as vidas de muitas pessoas. A possibilidade de sentir que o conhecimento é, de facto, uma oportunidade, que não devem desperdiçar.
Obrigado e parabéns a todos. Terei todo o prazer em saber os seus feitos nos próximos anos.