Cerimónia de entrega de diplomas da Universidade Aga Khan 2017, Nairobi
Discurso do Presidente Firoz Rasul na Cerimónia de entrega de diplomas da AKU, Nairobi
Por Mr. Firoz Rasul, Nairobi, Kenya · · 9 Min
A nossa convidada de honra, a Professora Collette Suda, Secretária Principal, do Departamento de Estado para o Ensino Superior, Ministério da Educação
membros do Governo,
membros do Conselho de Administradores da Universidade Aga Khan,
membros do Corpo Diplomático,
reitores, corpo docente e funcionários da Universidade,
Pais, parceiros, apoiantes e ilustres convidados
e, mais importante, graduandos,
“hamjambo” e “karibuni”. Bom e bem-vindos à Cerimónia de Convocação de 2017 da Universidade Aga Khan.
É fantástico ver-vos a todos reunidos aqui, sei que muitos de vocês aguardam com expectativa por este dia. É uma honra acolher os nossos muitos dadores, que partilharam o seu sucesso com a Universidade e depositaram a sua confiança em nós. Agradecemos também à nossa convidada de honra, a Professora Collette Suda,por partilhar esta ocasião.A presença de todos os nossos convidados serve para lembrar de maneira humilde que o trabalho que desempenhamos na AKU depende dos sacrifícios, generosidade e apoio de muitas outras pessoas.
Graduandos, este é o dia em que todos nós comemoramos os feitos dos pais, corpo docente, funcionários, líderes e amigos da Universidade. É um dia em que sentimos grande orgulho pelos vossos feitos e com toda a justificação. O facto de estarem aí sentados é a prova da vossa determinação e paixão pela aprendizagem e mostra que podem competir com o melhor que o mundo tem para oferecer.
Porém, se olharem para dentro de vocês, creio que vão reconhecer também outra emoção: a noção de ligação a algo maior do que vocês mesmos. Isso pode ser a comunidade de amigos que criaram aqui. Pode ser a vossa família, cujo amor e apoio vocês honraram com o vosso feito. Pode ser a Universidade e a sua visão ou o grande empreendimento de aprendizagem e inovação que atravessa o mundo e os séculos. Seja como for, o sentido está lá.
Está presente porque nós como seres humanos, procuramos naturalmente um propósito mais elevado. Buscamos uma missão ou um chamamento superior, um desafio que dê significado às nossas vidas e que deixe uma marca na vida dos outros.
Não é necessário ir muito longe para encontrar esses desafios. Estão todos à nossa volta. Todos vocês, os nossos graduandos, estudaram quando estiveram aqui e assistiram a eles nas vossas vidas e carreiras.
Há dezassete anos, as nações, incluindo o Quénia, reuniram-se para se comprometerem na redução da pobreza, fome, doença, analfabetismo e preconceito. Apelidaram a essas metas “Objetivos de Desenvolvimento para o Milénio” e comprometeram-se em resolvê-los em 2015.
Os objetivos eram ambiciosos. E, a seu favor, o Quénia fez progressos consideráveis para resolvê-los. A taxa de mortalidade infantil diminuiu para metade. A percentagem de crianças inscritas nas escolas primárias aumentou. O número de óbitos relacionados com a SIDA diminuiu substancialmente.
Contudo, graduandos, muito continua por fazer, como bem sabem. Demasiadas pessoas têm fome vivem na pobreza. Apesar do progresso, demasiadas grávidas, bebés e crianças com menos de 5 anos morrem de causas evitáveis. Há um número excessivo de jovens que não aprendem o suficiente na escola e demasiados desistem.
Todavia, o que são esses problemas se não a grande missão que todos procuramos e para a qual a vossa educação vos preparou? Com as competências e capacidades que desenvolveram na AKU, podem contribuir para um mundo melhor, no qual o sofrimento e a injustiça passaram à história.
2015 é passado. Contudo, a necessidade expressa pelos Objetos de Desenvolvimento do Milénio, de união através de um programa comum para melhorar a situação da Humanidade não atenuou. 193 países, incluindo o Quénia, assumiram um compromisso para alcançar um novo conjunto de metas em 2030, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Se, de facto, o Quénia tivesse concretizado essas metas, seria um país transformado, onde as crianças não sofrem com fome, todos os rapazes e raparigas teriam professores bem qualificados e todas as pessoas teriam acesso a cuidados de saúde de elevada qualidade.
Em conjunto com as agências da Rede Aga Khan para o Desenvolvimento, a Universidade está a envidar esforços para tornar essa visão realidade, como educador de líderes, que fornece investigação para a resolução de problemas e fornecedor de cuidados de saúde de elevada qualidade. Para tal, estamos a trabalhar em parceria com organizações da sociedade civil, com o governo e instituições do setor público, para ajudá-los a atingir as metas de desenvolvimento sustentável e o Vision 2030.
No ano passado, levámos a cabo um estudo através da nossa Escola de Enfermagem e Obstetrícia, que concluiu que mais de metade dos alunos está a trabalhar em instalações governamentais. No geral, o estudo constatou que os nossos enfermeiros licenciados têm um impacte significativo nos sistemas de saúde e na qualidade dos cuidados, como médicos, líderes experientes, gestores, educadores e investigadores.
Como primeira instituição a dar formação a especialistas de enfermagem oncológica na África Oriental, a Escola de Enfermagem e Obstetrícia está a envidar esforços para que o Hospital Universitário e de Referência Moi em Eldoret disponha também de licenciaturas em Enfermagem Oncológica. Para tal, recebeu apoio essencial do Princess Margaret Hospital em Toronto. A Escolha pretende criar em breve outras licenciaturas especializadas em enfermaria.
A nossa Faculdade de Medicina trabalha em estreita parceria com universidades públicas em desenvolvimento curricular e elaboração de normas. Todos os nossos formandos obtiveram experiência prática no Hospital Universitário Aga Khan e em instituições públicas e muitos estudantes de universidades públicas ganharam experiência através de opções e rotações na AKU.
Em 2016, iniciámos cursos de formação sobre doenças infecciosas e em breve vamos iniciar cursos de formação sobre cardiologia. Estes programas, cujo número vai aumentar, vai permitir aos médicos ter acesso a formação avançada sem ter de sair do país. À semelhança dos licenciados do nosso programa de residências, esperamos que os que tiram proveito desta nova formação se tornem líderes no melhoramento da qualidade dos cuidados de saúde no Quénia.
Em conjunto com as nossas filiais, os Serviços Aga Khan para a Saúde e a Fundação Aga Khan, o Centro de Excelência de Saúde Materna e Infantil da Universidade está a apoiar os esforços do Governo no sentido de melhorar a saúde materna e infantil.
Nos distritos de Kilifi e Kisii, o Centro está a trabalhar com 11 instituições de saúde governamentais para atender às necessidades de saúde de 135 000 mulheres e crianças. Isto é o resultado da realização no ano passado do Caso de estudo “Kenya Countdown to 2030”, uma colaboração entre a AKU, o Ministério da Saúde e um grupo de parceiros internacionais. Esse estudo serve de quadro de referência para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável em termos de saúde materna, recém-nascidos e infantil. Estamos orgulhosos por lançá-lo na presença de Sua Excelência, a Primeira Dama Margaret Kenyatta, a nossa ilustre convidada e da Princesa Zahra Aga Khan.
Entretanto, o nosso Instituto para o Desenvolvimento Humano está a prestar apoio à formação a organizações comunitárias que trabalham com crianças infetadas com o HIV/SIDA. Em breve, irá implementar intervenções no domínio da saúde e da nutrição em comunidades marginalizadas.
Todo este trabalho acresce aos cuidados prestados todos os anos a cerca de um milhão de doentes no Hospital Universitário, nos Hospitais Aga Khan em Kisumu e em Mombaça, e aos respetivos 59 centros de saúde no Quénia.
A Universidade, além de ajudar mais quenianos a ter vidas saudáveis, está também a fazer esforços para melhorar a qualidade da educação nas escolas do país.
O nosso Instituto para o Desenvolvimento Educativo, na África Oriental está a colaborar com outras agências da AKDN num projeto de cinco anos para melhorar o ensino dos estudantes da pré-primária e primária em comunidades marginalizadas na África Oriental. Como parte deste projeto, a AKDN deu formação a mais de 8500 diretores de escolas e educadores no Quénia e chegou a mais de um milhão de estudantes, a maioria dos quais são em escolas públicas.
Graças à nossa Escola de Pós-graduação de Média e Comunicações estamos a fomentar um setor de multimédia e comunicações ético, diversificado, independente e inovador. Estamos a trabalhar nesta área porque acreditamos que o sucesso de qualquer sociedade democrática depende do acesso do público e dos tomadores de decisão a informações fiáveis e opiniões bem informadas.
Nos últimos dois anos, a instituição de alto gabarito da Escola deu formação a cerca de 700 jornalistas. Atualmente, os documentários produzidos com o apoio da Escola estão a ser transmitidos todas as quartas-feiras na NTV, numa série apelidada “Giving Nature a Voice” (Dar Voz à Natureza). Estes documentários centram-se nos muitos desafios ambientais enfrentados pelo Quénia e pela África Oriental, bem como pelas iniciativas resultantes para atingi-las. Em novembro, a Escola está a congregar esforços com a Kennedy School da Universidade de Harvard do Governo para oferecer um curso de liderança adaptativa para executivos em Nairobi.
O nosso Instituto da África Oriental está a trabalhar com organizações governamentais e privadas para desenvolver nos conhecimentos que contribuem para a criação de políticas públicas. A investigação em sistemas alimentares urbanos é a prova que podem ser utilizados para promover a disponibilidade e a diversidade de produtos frescos e locais para populações urbanas. Além disso, o trabalho desempenhado no setor emergente do petróleo está centrado no afastamento da maldição dos recursos, em locais como Turkana.
Seria uma lacuna da minha parte se não indicasse que não podemos levar a cabo todas estas iniciativas sem um forte apoio externo. Uma vez que a AKU é uma universidade sem fins lucrativos empenhada na qualidade elevada. A manutenção dos nossos programas académicos representam um custo maior do que o valor que recebemos em propinas. Isto significa que devemos fornecer subvenções consideráveis para que sejam acessíveis aos estudantes.
Felizmente, recebemos um apoio financeiro significativo dos governos da Alemanha, Canadá e França, bem como de organizações privadas como o Johnson & Johnson Corporate Citizenship Trust e das Fundações Hilton, Rockefeller e Ford. Agradecemos a todos os nossos apoiantes e doadores privados. Um especial agradecimento a Sua Alteza, o nosso Reitor, pelo seu apoio financeiro contínuo, orientação estratégica, visão e orientação.
Agradecemos também ao Governo do Quénia, incluindo o Ministério da Saúde, ao Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia e à Comissão para o Ensino Superior. O seu apoio e aconselhamento foram inestimáveis e vão continuar a ser essenciais para o sucesso da AKU.
Graduandos, alguns de vocês se calhar já leram ou ouviram falar do Inquérito aos jovens do Quénia realizado pelo Instituto da África Oriental da AKU. Pedia a 1850 quenianos entre os 18 e os 35 anos sobre os seus valores, ambições e ansiedades.
Em alguns casos, as respostas são uma causa de preocupação. Porém, o inquérito também mostrou de forma clara que uma grande maioria dos jovens do Quénia está muito otimista, entusiasmada e tem uma noção de que as coisas mais importantes na vida não podem ser medidas em shillings.
Cerca de nove em dez afirmaram que a educação é mais importante do que o dinheiro. Quando lhes perguntaram as três coisas que consideravam mais importantes, escolheram a fé com grande margem em relação às outras opções. Três quartos ou mais afirmaram que tinham as habilitações e a educação necessárias para serem bons cidadãos e bem-sucedidos nas suas carreiras. Nove em dez afirmaram estar confiantes e prontos para a mudança e dois terços disseramque têm capacidade para fazer a diferença no mundo.
Não ficámos minimamente surpreendidos com os resultados. Porque são exatamente esses os valores e as qualidades que vos permitiram ter sucesso na AKU. Durante o período que passaram connosco, vocês demonstraram integridade, perseverança, criatividade e um profundo desejo de permitir que outros desenvolvam os seus talentos e tenham vidas saudáveis e realizadas.
Agora têm a oportunidade de juntar-se a inúmeras pessoas na AKU, no Quénia e com todos os que trabalham para lidar com os desafios mais difíceis enfrentados pela Humanidade.
Não sei se repararam que usei o termo “oportunidade” em vez de “responsabilidade”. Disse isso de propósito. Como presidente desta Universidade há dez anos, falo por experiência quando afirmo que para trabalhar em nome de uma grande causa, procurar fazer o que nunca foi feito, é a experiência mais entusiasmante que alguma vez irão sentir.
Não há melhor recompensa do que a noção de que os vossos esforços beneficiaram, profunda e positivamente, as vidas de muitas pessoas. A possibilidade de sentir que o conhecimento é, de facto, uma oportunidade, que não devem desperdiçar.
Obrigado e parabéns a todos. Sigam o vosso caminho e façam-nos orgulhosos. Terei todo o prazer em saber os seus feitos nos próximos anos.
“Asanteni Sana”.