Por Elvira Duarte , Branzelo, Portugal · 7 setembro 2025 · 3 Min
AKDN / José Nero
É com um profundo sentimento de gratidão e emoção que me dirijo a todos nesta cerimónia tão significativa: a reabertura da Capela de Nossa Senhora da Aflição — um espaço de fé, de memória e de identidade para a família, e para a comunidade que nos envolve.
Em 1952 o meu avô, António Pereira dos Santos, adquiriu a Capela, tendo retomado, as celebrações religiosas em Honra de Nossa Senhora d`Aflição, e que desde então não voltaram a ser interrompidas.
A Capela tem sido um marco na nossa família, assumindo um papel central, não apenas como lugar de culto, mas como um lugar de devoção, e de encontro. Um espaço onde encontrámos paz nos momentos difíceis, e onde celebrámos, com fé, os momentos marcantes das nossas vidas — celebrações matrimoniais, encontros familiares e ocasiões de oração e recolhimento. Representa, por isso, um património não só físico, mas principalmente emocional e espiritual. Aprendi, com os meus pais (fiéis depositários e verdadeiros curadores da Capela de Nossa Senhora da Aflição) a ter as portas abertas a toda a comunidade, proporcionando um refúgio espiritual a todos, e para todos.
Infelizmente, no dia 17 de setembro de 2024, os incêndios que devastaram esta região consumiram por completo este local tão querido. A destruição da Capela foi uma perda profundamente sentida, um golpe duro que deixou um vazio nas nossas vidas, e nas vidas da população de Branzelo, que impotentemente tentaram proteger e defender esta capela da fúria das chamas.
Contudo, este momento de dor, de aparente abandono, foi também a mão estendida, o ponto de partida para um caminho de extraordinária solidariedade, de cooperação institucional, que uniu o desejo de ser possível reedificar a Capela com a vontade de devolver à população a possibilidade de voltar a celebrar, no 1º Domingo de setembro, a Festa em Honra de Nossa Senhora d`Aflição.
Deixo, em nome da nossa família, um profundo sentimento de gratidão ao Ismaili Imamat e a Sua Alteza o Aga Khan, pela pronta disponibilidade em assumir um papel fundamental nesta reabilitação. E agradeço, com muito carinho, a disponibilidade do Princípe Aly Muhammad Aga Khan em ter vindo à nossa terra agraciar-nos com a sua presença. Não posso deixar de destacar o papel do Srº Comendador Nazim, cujo empenho e energia foi fulcral para a reconstrução da Capela.
Agradecemos igualmente à Câmara Municipal de Gondomar e à Junta de Freguesia de Melres e Medas, que, em estreita parceria, se juntaram a este esforço coletivo, permitindo que hoje possamos voltar a reunir-nos neste lugar com dignidade e esperança renovada.
A reabertura desta Capela simboliza mais do que a recuperação de um edifício. Representa a continuidade de uma tradição, a preservação da memória coletiva deste lugar, e a força da nossa fé. É, também, um testemunho de que, mesmo perante a adversidade, é possível reconstruir, com união, com respeito e com generosidade.
Em nome da nossa família, expresso o mais sincero agradecimento a todos (sem exceção) os que contribuíram para que este dia fosse possível.
Como dizia o nosso querido Papa Francisco, TODOS, TODOS, TODOS.
Que esta capela continue a ser, por muitas gerações, um espaço de oração, de encontro e de paz.
Muito obrigado.