Por Sua Alteza o falecido Aga Khan IV, London, UK · 4 outubro 2018 · 4 Min
Bismillah-ir-Rahman-ir-Rahim
Suas Excelências,
Ministros,
Sra. Armstrong,
Senhoras e Senhores,
É um enorme prazer dar-vos as boas-vindas, em nome da Direção do Centro Global pelo Pluralismo, à Conferência do Pluralismo de 2018, aqui no novo Centro Aga Khan, em Londres.
Quero começar por fazer uma menção ao falecimento do nosso colega de direção, o saudoso Kofi Annan.
Tive o privilégio de conhecer e trabalhar com o Sr. Annan durante muitos anos. Prestou uma enorme contribuição para o Centro Global pelo Pluralismo, apenas uma das suas muitas importantes contribuições para a humanidade. A sua falta será muito sentida. Os nossos sentimentos para a Sra. Annan neste momento difícil. É gratificante observar que o importante trabalho da Fundação Kofi Annan por um mundo mais justo e pacífico tem tido continuidade.
Senhoras e Senhores, permitam-me um momento para falar acerca deste lindo edifício e do poder transformador da arquitetura. Espero que tenham a oportunidade de explorar o edifício e, especialmente, de visitar o seu conjunto único de jardins, pátios e terraços, cada um inspirado numa diferente região do mundo islâmico.
O edifício é também um testemunho do valor da educação: é a nova sede de duas instituições educacionais - o Instituto para o Estudo das Civilizações Muçulmanas da Universidade Aga Khan e o Instituto de Estudos Ismailis.
Através da investigação e da aprendizagem, elas irão contribuir para uma maior compreensão da rica história e das diversas tradições das várias civilizações muçulmanas. Com isso, deverão ajudar a superar o fosso de ignorância que tem caracterizado as relações entre o Islão e o Ocidente há já demasiado tempo.
A oradora desta noite, Karen Armstrong, é uma pessoa que tem contribuído de uma forma excecional para o esclarecimento do Islão, o Judaísmo e o Cristianismo, e para a compreensão objetiva de todas as grandes tradições religiosas.
A Sra. Armstrong, uma das historiadoras de religião mais respeitadas e prolíficas do mundo, já escreveu mais de 20 livros, traduzidos para 45 línguas. Em especial, em 'Campos de Sangue: Religião e a História da Violência', ela desafiou a visão de que a religião tem sido a causa de muitos conflitos violentos da história, e argumentou, de modo convincente, que em muitos casos a religião foi apenas o pretexto. Armstrong é uma pensadora original e uma ativista, e o seu trabalho tem ecoado muito para além do âmbito de teólogos e filósofos.
Licenciada em Literatura pela Universidade de Oxford, a Sra. Armstrong foi professora,e em 1982 tornou-se escritora e difusora em regime freelance. Depois de ser contratada para trabalhar num documentário sobre São Paulo, passou algum tempo no Médio Oriente. Esse tempo serviu-lhe de inspiração. Ela aprendeu e refletiu acerca das grandes religiões, e descobriu a sua vocação enquanto escritora ao explorar as semelhanças partilhadas pelo islamismo, judaísmo e cristianismo, semelhanças como a Regra de Ouro - comportarmo-nos em relação aos outros como gostaríamos que eles se comportassem em relação a nós.
Em Fevereiro de 2008, Armstrong foi convidada a participar na série de palestras TED, na qual defendeu a criação de uma Carta para a Compaixão. A sua palestra teve um grande impacto e levou-a a vencer o cobiçado prémio TED, que lhe permitiu concretizar os fundamentos da Carta para a Compaixão.
Um ano e meio depois, foi lançada a versão final da Carta para a Compaixão. O processo para a sua criação incluiu contribuições de mais de 150 000 pessoas de todo o mundo, que enviaram as suas opiniões através da internet. As suas ideias foram depois refinadas e deram origem a um esboço final redigido por um painel de teólogos de renome.
Esta ideia de compaixão é próxima das pessoas. Quando Amin Hashwani, um executivo de negócios e ativista no Paquistão, ouviu a TED Talk de Armstrong, sentiu-se profundamente afetado. Em 2011, Amin Hashwani fundou a Rede de Escolas com Compaixão, um programa para formar escolas e educadores no desenvolvimento de competências de compaixão, que continua em funcionamento com grande sucesso.
A dinâmica e o entusiasmo por trás desta iniciativa global levaram a outro importante livro de Armstrong: 'Doze Passos para uma Vida de Compaixão'.
Senhoras e Senhores, ao olhar para o futuro, julgo que um dos maiores desafios para o mundo inteiro será encontrar formas através das quais todos nós possamos adquirir uma compreensão mais profunda do outro, e daquilo que nos distingue entre nós, enquanto seres humanos e enquanto comunidades.
Para alcançar este objetivo essencial, os pensadores e escritores reflexivos, criativos e empáticos serão extremamente importantes.
Esta noite, temos o privilégio de ouvir uma das suas vozes mais respeitadas, Karen Armstrong.
Obrigado.